segunda-feira,
8 de dezembro de 2025

Capacidade de compra continua restrita

Fatores como a valorização do dólar e o aumento constante nos preços dos alimentos dificultam uma recuperação significativa na renda real

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Em 2025, o salário mínimo no Brasil passou a ser de R$ 1.518,00, elevando-se em R$ 106 em comparação ao ano anterior. Embora tenha havido um incremento de 7,5%, a expectativa é de que a capacidade aquisitiva dos brasileiros em relação à cesta básica continue praticamente inalterada.

Fatores como a valorização do dólar e o aumento constante nos preços dos alimentos dificultam uma recuperação significativa na renda real da população.

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De acordo com uma análise da consultoria LCA 4intelligence, essa estagnação deve se estender até 2026, com o poder de compra permanecido abaixo dos índices vistos antes da pandemia. Esse contexto representa um dilema para o governo, que lida com uma percepção negativa do público sobre a economia.

Capacidade de compra continua restrita

Uma pesquisa conduzida pelo economista Bruno Imaizumi avaliou o preço da cesta básica em São Paulo, utilizando informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O estudo confrontou esse custo com o salário mínimo em vigor, que recebeu ajustes a partir de 2023, baseado na inflação e no crescimento do PIB, com um limite de 2,5% acima da inflação.

Entre 1998 e 2010, houve um aumento significativo no poder de compra, permitindo que o salário mínimo adquirisse uma maior quantidade de cestas básicas. Entretanto, a partir de 2020, a pandemia de COVID-19 e o crescimento dos preços dos alimentos diminuíram essa capacidade.

Em 2024, por exemplo, o salário mínimo só era suficiente para comprar 1,7 cesta básica, sem recuperar os níveis pré-pandemia.

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Inflação alimentar

A inflação dos alimentos excede a inflação geral, afetando diretamente o poder de compra. Condições climáticas adversas, como chuvas intensas, secas e incêndios, impactaram a produção agrícola no Brasil e em outras nações produturas. Ademais, a desvalorização do real favorece a exportação, diminuindo a oferta interna e aumentando os preços.

Para 2025 e 2026, espera-se que a inflação dos alimentos e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentem variações mais semelhantes, porém os preços dos alimentos devem continuar altos.

O aumento das commodities no mercado internacional, impulsionado pela desvalorização da moeda brasileira, também colabora para a elevação dos preços no Brasil.

Efeito da situação econômica

A persistência dos preços elevados após a pandemia pode agravar o fenômeno do “efeito pêndulo”, onde a insatisfação econômica favorece partidos de oposição nas urnas. O presidente Lula enfrenta o desafio de evidenciar melhorias na economia, apesar das dificuldades percebidas pela população.

O cientista político Creomar de Souza destaca que, mesmo com a redução do desemprego e o aumento salarial, a sensação de estagnação poderá influenciar os resultados nas eleições de 2026. Para mitigar consequências negativas, é crucial que o governo alinhe uma comunicação eficaz com ações concretas que possam restaurar a confiança econômica.

Opções do governo

O governo se depara com duas direções principais: uma é manter a rigorosa disciplina fiscal para restaurar a confiança do mercado, enquanto a outra é aumentar os investimentos públicos na tentativa de estimular a economia e garantir a reeleição.

A escolha entre essas alternativas pode afetar de maneira significativa o ambiente político e econômico nos anos futuros.

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Thais Rodrigues
Thais Rodrigues
Formada em Jornalismo desde 2009 pela Unicsul e também pós-graduada em Jornalismo Esportivo pelo Centro Universitário FMU. Atualmente trabalhando nas áreas de redação, marketing e assessoria de imprensa.

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