segunda-feira,
12 de janeiro de 2026

Consignado do INSS: novas leis endurecem regras para barrar fraudes

Com a sanção da Lei 15.327, biometria e assinatura eletrônica passam a ser obrigatórias

Em duas décadas, o crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS saltou de nove para 62 instituições bancárias habilitadas. A modalidade, que oferece os juros mais baixos do mercado devido ao desconto direto na folha de pagamento, tornou-se um motor da economia, mas também alvo frequente de irregularidades. 

Para conter abusos, uma série de mudanças legislativas e administrativas alterou profundamente as regras de contratação para 2026.

A mudança mais significativa veio com a recente Lei 15.327. Agora, é proibido qualquer desconto de parcelas sem que haja a comprovação por biometria (reconhecimento facial ou digital) e assinatura eletrônica qualificada. 

Em caso de descontos indevidos por fraude, os bancos são obrigados a restituir o valor integral atualizado ao segurado em até 30 dias após a notificação.

Fim do seguro “embutido”

Outra trava de segurança importante diz respeito ao chamado “seguro prestamista”. 

O INSS proibiu as instituições de oferecerem ou incluírem qualquer tipo de seguro — independentemente do nome comercial utilizado — na contratação ou no refinanciamento de empréstimos. 

A medida visa impedir a venda casada, prática que elevava o Custo Efetivo Total (CET) sem o consentimento claro do beneficiário.

Guia do Consignado: o que está valendo agora

Regra Detalhes
Bloqueio Padrão Todos os benefícios novos nascem bloqueados para empréstimos. O desbloqueio exige autorização prévia e pessoal.
Trava Pós-Crédito Após cada contrato assinado, o benefício volta a ser bloqueado automaticamente para novas operações.
Canais Proibidos É proibido contratar ou desbloquear crédito via telefone ou por meio de procuração.
BPC/Loas Idosos e pessoas com deficiência de baixa renda podem comprometer até 35% do benefício (30% para empréstimo e 5% para cartão).

Margem de limites

Para evitar o superendividamento, a Previdência mantém limites rígidos sobre quanto do benefício pode ser comprometido mensalmente:

  • 35% para empréstimo pessoal tradicional;
  • 5% para despesas com cartão de crédito;
  • 5% para gastos com cartão consignado de benefício.
    Total máximo: 45% do rendimento mensal.

Juros e prazos

O Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) estabelece tetos para as taxas de juros, que atualmente são de 1,85% ao mês para o empréstimo tradicional e 2,46% para o cartão de crédito. 

O prazo de pagamento pode se estender por até 96 meses (oito anos). Especialistas recomendam que o segurado consulte o site do Banco Central para comparar as taxas reais praticadas pelas 62 instituições, já que muitas operam abaixo do teto.

Aqui vai uma dica:antes de assinar, exija o Custo Efetivo Total (CET). Ele revela o peso real da dívida, somando juros, IOF e taxas administrativas.

Como consultar sua margem disponível

O segurado pode verificar quanto ainda pode pegar de empréstimo sem sair de casa:

  1. Acesse o portal ou aplicativo Meu INSS com sua conta Gov.br.
  2. No campo de busca, digite “Extrato de Empréstimo”.
  3. Selecione o benefício desejado para visualizar os contratos ativos e o saldo da margem consignável.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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