O empreendedor informal e a Previdência Social ainda formam uma combinação distante da realidade de milhões de brasileiros.
Um levantamento do Sebrae mostra que 80,5% dos donos de negócios sem formalização não contribuíam para a Previdência no primeiro trimestre de 2026.
Consequentemente, esse grupo permanece sem acesso à proteção previdenciária em situações como aposentadoria, incapacidade para o trabalho e pensão por morte.
Além disso, o estudo revela outro desafio: os empreendedores informais recebem, em média, quase três vezes menos do que aqueles que atuam de forma regularizada.
Informalidade ainda representa a maioria dos negócios
Segundo o levantamento do Sebrae, o Brasil contabilizou 30,2 milhões de empreendedores no primeiro trimestre de 2026.
Desse total, 19,4 milhões atuavam na informalidade, o equivalente a 65% dos donos de negócios no país.
Enquanto isso, apenas 35% dos empreendedores mantinham alguma forma de formalização.
Maioria dos empreendedores informais não contribui para a Previdência
Os dados também mostram uma grande diferença na proteção previdenciária.
Entre os empreendedores informais:
- 80,5% não contribuíam para a Previdência Social;
- apenas 19,5% realizavam contribuições.
Por outro lado, a realidade muda entre os empreendedores formalizados.
Nesse grupo:
- 78% contribuíam regularmente para a Previdência Social;
- 22% não faziam recolhimentos.
Conforme o Sebrae aponta, essa diferença demonstra que a formalização continua sendo um dos principais fatores para ampliar o acesso à proteção previdenciária.
Empreendedores formalizados ganham quase três vezes mais
Além da proteção social, a formalização também aparece associada a uma renda maior. No primeiro trimestre de 2026:
- empreendedores formalizados tiveram renda média de R$ 6.688,89;
- empreendedores informais registraram rendimento médio de R$ 2.253,04.
Embora registra-se o crescimento nominal da renda em relação a 2021, o levantamento destaca que os ganhos permaneceram abaixo da inflação acumulada de 35% no período.
Assim, tanto empreendedores formais quanto informais perderam poder de compra nos últimos cinco anos.
Setor de serviços concentra a maior parte dos negócios informais
Adicionalmente, o levantamento analisou os segmentos econômicos com maior presença de empreendedores sem formalização.
Entre eles, destacam-se:
- serviços: 42,2%;
- agropecuária: 17,2%;
- comércio: 16%;
- construção: 16%;
- indústria: 8,5%.
De acordo com o Sebrae, a concentração da informalidade no setor de serviços reflete a forte presença de trabalhadores autônomos e pequenos prestadores de serviços.
Por que contribuir para a Previdência faz diferença?
A contribuição previdenciária garante acesso a diversos benefícios administrados pelo INSS. Entre eles estão:
- aposentadoria;
- benefício por incapacidade temporária;
- aposentadoria por incapacidade permanente;
- pensão por morte para dependentes;
- salário-maternidade, quando preenchidos os requisitos legais.
Por isso, permanecer fora da Previdência pode deixar o empreendedor sem proteção financeira diante de situações inesperadas.
Formalização amplia renda e acesso a direitos
Além de facilitar a contribuição previdenciária, a formalização pode ampliar o acesso a crédito, emissão de notas fiscais e programas de incentivo aos pequenos negócios.
Por fim, o levantamento do Sebrae reforça que a informalidade ainda representa um desafio estrutural para o empreendedorismo brasileiro.
Embora milhões de pessoas mantenham seus próprios negócios, grande parte delas continua sem proteção previdenciária e com renda significativamente inferior à dos empreendedores formalizados.