Quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Demitidos da Casas Bahia relatam problemas para receber FGTS, rescisão e seguro-desemprego

Trabalhadores desligados durante a reestruturação da Casas Bahia afirmam enfrentar dificuldades para acessar direitos após a demissão. Mais de 80 denúncias chegaram à entidade que representa a categoria.

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Demitidos da Casas Bahia relatam problemas para receber FGTS, rescisão e seguro-desemprego
Demitidos da Casas Bahia relatam dificuldades para receber verbas rescisórias, acessar o FGTS e solicitar o seguro-desemprego durante a reestruturação da empresa.Reprodução/NC News

Os demitidos da Casas Bahia relatam problemas para receber verbas rescisórias, movimentar o FGTS e solicitar o seguro-desemprego após uma série de desligamentos realizados durante a reestruturação financeira do grupo.

Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), mais de 80 denúncias haviam sido registradas até quarta-feira (9). As reclamações aparecem em um momento no qual a companhia também enfrenta uma recuperação judicial envolvendo aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.

O caso ganhou ainda outra frente na Justiça do Trabalho. Decisões judiciais suspenderam parte das demissões coletivas, enquanto representantes dos trabalhadores tentam negociar uma solução com a empresa.

Demitidos da Casas Bahia relatam dificuldades após desligamentos

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As reclamações recebidas pela CNTC envolvem diferentes etapas posteriores à dispensa.

Há trabalhadores que afirmam não ter recebido corretamente as verbas rescisórias. Outros relatam dificuldades para sacar o saldo do FGTS e a multa rescisória de 40%, quando aplicável, além de obstáculos para solicitar o seguro-desemprego.

A entidade reuniu relatos de trabalhadores de diferentes estados e afirma que o problema afeta pessoas que dependem desses recursos para manter as despesas após perderem a fonte de renda.

É importante, porém, diferenciar as denúncias da situação individual de cada funcionário. O direito a FGTS, multa rescisória e seguro-desemprego depende da modalidade de desligamento e do cumprimento dos requisitos legais de cada benefício.

Cerca de 3 mil trabalhadores foram atingidos por reestruturação

Os desligamentos aconteceram em meio a um processo mais amplo de reorganização da Casas Bahia.

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Segundo as informações divulgadas, a companhia anunciou o fechamento de 298 lojas, medida que atingiu aproximadamente 3 mil funcionários.

Ao mesmo tempo, o grupo enfrenta uma recuperação judicial protocolada na Justiça de São Paulo em agosto. O processo envolve passivo estimado em R$ 17,3 bilhões.

Desse montante, cerca de R$ 754 milhões correspondem a créditos trabalhistas, conforme os números apresentados na matéria-fonte.

A recuperação judicial permite que uma empresa em dificuldade financeira reorganize determinadas dívidas sob supervisão judicial. Entretanto, a existência do processo não significa, por si só, que os direitos trabalhistas deixam de existir.

O que acontece com rescisão e FGTS na recuperação judicial?

A situação dos demitidos da Casas Bahia envolve duas questões distintas: o processo de recuperação judicial da companhia e a discussão trabalhista sobre os desligamentos.

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Segundo a posição atribuída à empresa, os valores devidos aos trabalhadores devem observar as regras definidas dentro da recuperação judicial e as determinações da Justiça.

Já as entidades sindicais buscam uma solução que permita regularizar as verbas dos funcionários atingidos.

Além dos pagamentos, a CNTC também defende a manutenção do plano de saúde para ex-funcionários que estejam em tratamento médico.

Por isso, a forma e o momento de recebimento dos valores podem depender da situação de cada trabalhador, da natureza do crédito e das decisões judiciais relacionadas ao caso.

Justiça suspendeu parte das demissões coletivas

O conflito não está restrito à recuperação judicial.

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Em agosto, uma decisão liminar suspendeu os efeitos de demissões coletivas realizadas entre os dias 13 e 17 daquele mês. A medida ocorreu após questionamentos da CNTC sobre a ausência de negociação sindical prévia.

A decisão determinou o restabelecimento dos vínculos e benefícios dos trabalhadores abrangidos.

Posteriormente, segundo a matéria-fonte, outras decisões mantiveram a suspensão. Em setembro, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve uma liminar relacionada às demissões coletivas de aproximadamente 1,9 mil trabalhadores, além da manutenção de benefícios assistenciais.

A empresa recorreu da decisão, mas o recurso citado na reportagem não foi acolhido.

Por que a negociação sindical virou ponto central?

A discussão envolve o entendimento sobre a participação dos sindicatos antes da realização de dispensas coletivas.

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O Supremo Tribunal Federal (STF) já estabeleceu entendimento de que a intervenção sindical prévia é uma exigência procedimental para demissões em massa. Isso não significa necessariamente que o sindicato tenha poder de impedir toda dispensa coletiva, mas exige sua participação anterior no processo.

Esse ponto passou a integrar a disputa envolvendo os desligamentos realizados pela Casas Bahia.

Nesse cenário, as entidades trabalhistas argumentam que deveria ter ocorrido negociação antes das dispensas questionadas.

Seguro-desemprego também aparece entre as reclamações

Outra dificuldade relatada envolve o seguro-desemprego.

O benefício atende trabalhadores dispensados sem justa causa que cumpram os demais requisitos estabelecidos pela legislação. Para solicitar as parcelas, entretanto, são necessárias informações e documentos relacionados ao desligamento.

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Assim, problemas na formalização da rescisão podem gerar dificuldades práticas para quem tenta dar entrada no benefício.

Isso não significa que todos os demitidos da Casas Bahia tenham automaticamente direito ao seguro-desemprego. A análise depende das condições individuais e das regras aplicáveis a cada trabalhador.

Sindicato busca acordo com a Casas Bahia

Enquanto as discussões judiciais continuam, representantes dos trabalhadores tentam construir uma negociação de alcance nacional.

Entre os pontos defendidos estão a regularização das verbas rescisórias e dos demais direitos relacionados às dispensas.

Além disso, existe uma tentativa de preservar a assistência médica para trabalhadores que necessitam continuar tratamentos de saúde.

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A negociação ocorre paralelamente à recuperação judicial, processo no qual a Casas Bahia tenta reorganizar seu endividamento e manter as operações.

O que os trabalhadores devem acompanhar agora?

O cenário ainda pode mudar porque existem discussões tanto na Justiça do Trabalho quanto no processo de recuperação judicial.

Por isso, trabalhadores atingidos precisam acompanhar as decisões referentes ao seu desligamento e verificar se estão incluídos nas determinações judiciais que suspenderam parte das demissões.

Também é importante buscar orientação do sindicato da categoria ou assistência jurídica quando houver divergência sobre rescisão, FGTS ou outros direitos. Cada contrato pode apresentar uma situação diferente, especialmente diante das decisões judiciais já tomadas.

Por enquanto, os demitidos da Casas Bahia permanecem no centro de um impasse que reúne milhares de desligamentos, reclamações trabalhistas e a recuperação judicial bilionária do grupo.

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