Auxílio de R$ 600 para mães de autistas avança na Câmara; veja quem poderá receber
Comissão da Câmara aprovou proposta que cria pagamento mensal para responsáveis que deixam o trabalho para cuidar de filhos com deficiência severa. Projeto ainda precisa avançar no Congresso antes de virar lei.

O auxílio de R$ 600 para mães de autistas avançou na Câmara dos Deputados, mas ainda não começou a ser pago. A proposta aprovada em comissão cria um benefício mensal para mães ou responsáveis que precisam se dedicar integralmente aos cuidados de crianças e adolescentes com deficiência severa.
O texto prevê ainda um adicional de R$ 150 por outro dependente que também se enquadre nas condições estabelecidas. Para receber, caso a proposta vire lei, será necessário cumprir requisitos relacionados ao CadÚnico, à necessidade de cuidados contínuos e à situação profissional do responsável.
Por enquanto, porém, não existe inscrição aberta nem calendário de pagamentos. O texto ainda precisa cumprir outras etapas no Congresso.
Quem poderá receber o auxílio de R$ 600 para mães de autistas?
A proposta aprovada pela Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara estabelece critérios para identificar quem poderá ter acesso ao pagamento.
O benefício foi pensado para situações em que os cuidados exigidos pela criança ou adolescente impedem que o responsável exerça uma atividade profissional remunerada.
Conforme o texto aprovado, será necessário:
estar com a inscrição ativa e atualizada no Cadastro Único (CadÚnico);
ter a guarda direta da criança ou do adolescente;
comprovar que a necessidade de cuidados impede o exercício de atividade profissional remunerada;
comprovar a condição do dependente e a necessidade de cuidados integrais;
passar por avaliação médica e multiprofissional, conforme as regras previstas na proposta.
O texto alcança responsáveis por crianças e adolescentes com deficiência severa, incluindo situações relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), quando preenchidos os requisitos.
Assim, ter um filho com autismo não dará automaticamente direito aos R$ 600, caso o projeto seja aprovado. Será necessário atender ao conjunto de condições previsto na futura legislação.
Valor poderá passar de R$ 600 em algumas famílias
O pagamento mensal previsto começa em R$ 600.
Além desse valor, o relatório aprovado estabelece um acréscimo de R$ 150 por dependente adicional que também esteja nas condições previstas pelo programa.
Por exemplo, uma responsável que tenha dois dependentes enquadrados nas regras poderia receber o valor-base acrescido do adicional correspondente, desde que cumpra todos os requisitos.
O valor fixo de R$ 600 surgiu durante a tramitação. A versão original trabalhava com pagamentos diferentes de acordo com o grau da deficiência e as condições econômicas da família.
O relator, deputado Bruno Ganem (Pode-SP), optou por estabelecer um valor de referência único, além do adicional por outro dependente elegível.
Projeto também prevê atendimento psicológico pelo SUS
A proposta não trata somente de transferência de renda.
O texto aprovado também prevê prioridade para mães e responsáveis legais em consultas psicológicas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Além disso, estão previstas ações relacionadas a atividades terapêuticas, lazer e bem-estar.
A ideia é ampliar a rede de suporte destinada aos responsáveis que concentram grande parte da rotina nos cuidados de crianças e adolescentes que precisam de acompanhamento contínuo.
Quando começa o auxílio de R$ 600 para mães de autistas?
Ainda não existe uma data para o início do pagamento.
Esse é um ponto importante porque a aprovação divulgada em setembro ocorreu apenas em uma das etapas de tramitação da proposta.
O auxílio de R$ 600 para mães de autistas ainda não é um benefício disponível. Portanto, nenhuma pessoa pode solicitar os R$ 600 neste momento com base nesse projeto.
Depois da aprovação na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, a proposta ainda precisa passar por outras etapas legislativas.
Segundo as informações divulgadas sobre a tramitação, o texto ainda deverá ser analisado pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Depois, como a proposta tramita em caráter conclusivo, poderá seguir para o Senado, caso não haja recurso para análise pelo Plenário da Câmara.
Somente depois da conclusão do processo legislativo e de eventual sanção será possível falar em implementação efetiva e pagamento do novo auxílio.
Preciso fazer cadastro para receber os R$ 600?
Não. Não há cadastro aberto para esse benefício neste momento.
Como a proposta ainda tramita no Congresso, mensagens ou anúncios que afirmem que mães de crianças com autismo já podem se cadastrar especificamente para receber os R$ 600 devem ser vistos com cautela.
O que as famílias podem fazer atualmente é manter o CadÚnico atualizado, já que a inscrição está entre os requisitos previstos no projeto.
Quem ainda não está cadastrado pode procurar o CRAS ou o posto responsável pelo Cadastro Único no município.
Vale lembrar que fazer o CadÚnico agora não garante o recebimento futuro do auxílio. Além de o projeto ainda precisar virar lei, o texto estabelece outros requisitos.
CadÚnico será um dos requisitos previstos
Caso a proposta seja aprovada definitivamente com as regras atuais, o Cadastro Único terá papel importante na identificação dos possíveis beneficiários.
Por isso, quem já possui inscrição deve manter as informações corretas, especialmente quando houver alterações como:
mudança de endereço;
alteração na renda;
nascimento ou falecimento de integrante;
entrada ou saída de alguém da residência;
mudanças na composição familiar.
Entretanto, o CadÚnico não funciona como uma inscrição automática no futuro auxílio. Ele será apenas uma das condições previstas.
Mãe que não trabalha de carteira assinada poderá receber?
A proposta não condiciona o pagamento à existência de emprego formal.
Na verdade, um dos objetivos é justamente atender responsáveis cuja rotina de cuidados impede a manutenção de uma atividade profissional remunerada.
O ponto relevante, portanto, será demonstrar que a necessidade de cuidado integral interfere na possibilidade de exercer atividade remunerada, além de atender aos demais critérios.
A avaliação concreta dependerá das regras que estiverem em vigor caso a proposta conclua a tramitação e seja transformada em lei.
Aprovação em comissão não significa benefício liberado
A aprovação chamou atenção principalmente pelo valor de R$ 600, mas é fundamental separar o que já aconteceu do que ainda depende do Congresso.
Até agora, uma comissão da Câmara aprovou a proposta. Isso representa um avanço na tramitação, mas não cria imediatamente um novo pagamento do governo.
Não há, neste momento:
calendário para receber;
inscrição específica aberta;
primeira data de pagamento;
liberação dos R$ 600;
garantia de que o texto atual será aprovado sem mudanças.
Portanto, famílias que possam se enquadrar nas regras não precisam solicitar o benefício agora.
O auxílio de R$ 600 para mães de autistas somente poderá sair do papel depois que o projeto concluir as etapas legislativas necessárias e, se aprovado definitivamente, houver a implementação das regras para concessão e pagamento.
