sexta-feira,
10 de abril de 2026

FGTS: Nova lei pode permitir uso do saldo para sair do vermelho

Medida pode integrar pacote de crédito em estudo pelo Ministério da Fazenda

O governo federal estuda incluir o uso do saldo do FGTS em um novo conjunto de medidas para o enfrentamento do endividamento familiar. Segundo o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, a proposta busca oferecer uma alternativa de crédito para a quitação de débitos vencidos.

Embora o Ministério do Trabalho manifeste preocupação com a preservação do patrimônio do FGTS, o diálogo entre as pastas avançou sob a premissa de que o uso do saldo pode ser uma solução razoável para o saneamento financeiro dos trabalhadores. 

A viabilização da proposta, contudo, ainda está condicionada a refinamentos técnicos por parte da equipe econômica.

Foco na baixa renda e renegociação

O plano do governo Lula mira especialmente o público de baixa renda, além de trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas. Para tornar o crédito mais acessível e barato, a União estuda oferecer garantias nas renegociações, o que permitiria aos bancos reduzirem drasticamente as taxas de juros.

O programa deve abranger uma ampla gama de débitos, incluindo as modalidades mais caras do mercado, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Em alguns cenários, a expectativa é que os descontos sobre o valor total da dívida cheguem a 80%.

Proteção financeira e apostas online

Uma novidade importante no texto em discussão é a imposição de limites para evitar o “ciclo do endividamento”. O governo avalia criar restrições para apostas online (bets) voltadas aos beneficiários do programa. A ideia é impedir que os recursos liberados para o saneamento das contas sejam desviados para o jogo.

Além dos inadimplentes, o pacote deve socorrer quem está com as contas em dia, mas sofre com o alto comprometimento da renda. Nesses casos, o programa facilitaria a migração da dívida atual para linhas de crédito com condições mais favoráveis.

A urgência do pacote reflete a realidade financeira do país: dados recentes indicam que mais de 80% das famílias brasileiras possuem dívidas, com quase um terço delas já em situação de atraso.

Diferente de iniciativas anteriores, o governo busca um formato mais simplificado e direto. O anúncio oficial das medidas, que estão sendo fechadas em diálogo com bancos e fintechs, é esperado para os próximos dias.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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