sábado,
28 de março de 2026

Proposta enviada ao Senado sugere reduzir multa do FGTS para 20%

Proposta legislativa sugere teto de 20% para indenização rescisória, hoje fixada em 40%.

O Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT) encaminhou ao Senado Federal uma proposta de Lei Complementar que pode alterar significativamente a estrutura de custos das demissões no Brasil. 

O projeto sugere a redução drástica das multas rescisórias do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS): o percentual pago nas dispensas sem justa causa cairia dos atuais 40% para 20%, enquanto nas rescisões por comum acordo a taxa passaria de 20% para 10%.

O documento está sob análise da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), presidida pela senadora Damares Alves (Republicanos). A iniciativa reacende o debate sobre a flexibilização de direitos trabalhistas versus o estímulo à formalização do mercado de trabalho em um cenário de transição econômica.

Medida Provisória que perdura por décadas

A principal fundamentação do IFGT é de ordem histórica e jurídica. Segundo a entidade, o atual patamar de 40% foi estabelecido como uma medida temporária após a Constituição de 1988, mas acabou se perpetuando por falta de uma regulamentação definitiva. 

Mario Avelino, presidente do instituto, argumenta que o Congresso Nacional acumula uma dívida de 37 anos com o país ao não definir normas permanentes para a proteção contra a despedida arbitrária.

Impacto financeiro e o custo da demissão

Para embasar a necessidade da mudança, o IFGT apresentou um levantamento estatístico abrangente. Entre 1997 e janeiro de 2026, o volume de multas rescisórias pagas a cerca de 500 milhões de trabalhadores somou aproximadamente R$ 662 bilhões.

De acordo com o estudo técnico:

  • Caso a redução proposta estivesse em vigor no período analisado, as empresas brasileiras teriam economizado R$ 331 bilhões.
  • O instituto sustenta que o custo elevado da demissão atua como uma barreira à contratação, desestimulando a abertura de novas vagas com carteira assinada.
  • A tese defendida é que o excesso de encargos na saída do funcionário não cumpre seu papel protetivo, mas acaba fomentando a informalidade e a rotatividade no mercado.

Pacote de modernização trabalhista

A redução das multas é apenas um dos pilares de um conjunto de quatro propostas legislativas elaboradas pelo IFGT. 

Embora seja uma organização voltada à orientação do trabalhador, a entidade argumenta que o pacote visa modernizar a gestão do Conselho Curador do FGTS, quitar dívidas históricas do fundo e combater o trabalho informal.

Apesar da provável resistência de centrais sindicais , o IFGT defende que o benefício a longo prazo viria através de um mercado de trabalho mais dinâmico e com menor receio por parte do setor produtivo em expandir seus quadros de funcionários.

Conclusão

O avanço da proposta no Senado Federal dependerá agora de um complexo equilíbrio entre a agenda de competitividade econômica e a preservação de garantias sociais. 

Enquanto o setor produtivo enxerga na redução das multas um fôlego necessário para novos investimentos, representantes dos trabalhadores alertam para o risco de precarização. 

A matéria segue para análise detalhada nas comissões temáticas, onde deverá passar por audiências públicas antes de seguir para votação em plenário, definindo se o modelo de proteção vigente desde a década de 80 será, de fato, reformulado.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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