segunda-feira,
20 de abril de 2026

STF discute aposentadoria aos 75 em estatais; veja impacto

STF analisa aposentadoria aos 75 em estatais e debate pagamento de verbas trabalhistas; entenda o que está em jogo

O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa se trabalhadores de empresas públicas e sociedades de economia mista têm direito a receber verbas trabalhistas ao serem desligados automaticamente aos 75 anos. 

O tema envolve a chamada aposentadoria compulsória e pode afetar casos semelhantes em todo o país.

Entenda o que está em julgamento

A Corte avalia um trecho da Constituição que prevê a saída obrigatória aos 75 anos para empregados públicos que já cumpriram o tempo mínimo de contribuição. A regra foi incluída após a reforma da Previdência.

O debate central é saber se essa determinação tem aplicação imediata ou se ainda depende de regulamentação por lei.

O caso chegou ao STF por meio de um recurso de uma ex-funcionária da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), desligada ao completar 75 anos. Ela contesta a aplicação automática da regra e pede a reintegração ao cargo.

Voto de Flávio Dino e a divergência

O ministro Flávio Dino acompanhou o relator Gilmar Mendes quanto à aplicação imediata da regra. No entanto, divergiu sobre os efeitos do desligamento.

Para Dino, o fato de a saída ocorrer por determinação constitucional não elimina o direito do trabalhador a receber valores já incorporados ao seu patrimônio.

Ele também afastou a interpretação de que o empregador não teria responsabilidade financeira no encerramento do vínculo.

Quais verbas estão em discussão

No voto, o ministro defendeu o pagamento das seguintes parcelas:

  • saldo de salário pelos dias trabalhados
  • férias vencidas e proporcionais, com adicional de um terço
  • 13º salário proporcional
  • saque do saldo do FGTS

Ao justificar sua posição, Dino afirmou que negar esses pagamentos pode resultar em “enriquecimento indevido da Administração Pública”.

Como está o julgamento no STF

O processo está em análise no plenário virtual do STF. Nesse formato, os ministros registram seus votos em um sistema eletrônico dentro de um prazo de uma semana.

Até o momento, o relator Gilmar Mendes votou para rejeitar o recurso e defender que a regra da aposentadoria compulsória aos 75 anos seja aplicada automaticamente, sem necessidade de regulamentação adicional.

Ele foi acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Dias Toffoli.

O que pode mudar para os trabalhadores 

O STF reconheceu a repercussão geral do caso. Isso significa que a decisão final deverá ser aplicada a todos os processos semelhantes no país.

Na prática, o entendimento da Corte vai definir:

  • se o desligamento aos 75 anos ocorre automaticamente
  • se há direito ao pagamento de verbas trabalhistas após a saída

A decisão pode impactar diretamente empregados de estatais em todo o Brasil.

Compartilhe:

Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

Notícias relacionadas

Mais lidas da semana

App O Trabalhador