quarta-feira,
21 de janeiro de 2026

MEI: IR tem mudanças, saiba como organizar as finanças

Sem uma distinção clara, o próprio empresário pode se confundir e enfrentar obstáculos para demonstrar à Receita Federal

Uma nova resolução da Receita Federal (CGSN nº 183/2025), em vigor desde outubro de 2025, trouxe esclarecimentos significativos a respeito do faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) e levantou um alerta.

De acordo com a norma, os rendimentos que a pessoa física obtém e que estejam diretamente relacionados à atividade econômica desempenhada pelo MEI devem ser somados ao faturamento registrado no CNPJ para o cálculo do limite anual.

É, no entanto, fundamental compreender que outras fontes de renda, como salários provenientes de empregos com carteira assinada, doações, heranças, empréstimos ou a venda de bens pessoais (como um automóvel), não são considerados nessa soma.

Para evitar equívocos na interpretação e assegurar que você não exceda o teto de faturamento do MEI, que atualmente é de R$ 81 mil por ano, a organização financeira se torna essencial.

A principal ação a ser tomada é a completa separação entre as finanças pessoais e as da empresa. Utilizar a mesma conta bancária para receber pagamentos dos clientes e para pagar as contas pessoais pode resultar em problemas com o Fisco.

Misturar as finanças dificulta a comprovação da origem dos recursos.

Sem uma distinção clara, o próprio empresário pode se confundir e enfrentar obstáculos para demonstrar à Receita Federal qual valor se refere ao faturamento da empresa e quais são transações pessoais legítimas.

Caso as entradas na conta ultrapassem o limite estipulado para o MEI, o risco de sofrer uma fiscalização e de um eventual desenquadramento aumenta, pois a responsabilidade de demonstrar a situação recai sobre o contribuinte.

Manual para organizar as finanças

Separar o capital da empresa do seu dinheiro pessoal é uma tarefa simples que pode ser realizada em algumas etapas. Esta organização não apenas protege seu registro no MEI como também aprimora a administração do seu negócio.

  • Abra uma conta empresarial: o primeiro passo consiste em assegurar uma conta bancária exclusiva para a empresa. Diversos bancos digitais disponibilizam contas para MEI sem taxas ou com valores reduzidos. Todos os recebimentos dos clientes devem ser direcionados para esta conta.
  • Estabeleça um pró-labore: este montante é o seu “salário” como proprietário do negócio. Determine um valor fixo mensal que você transferirá da conta empresarial para a sua conta pessoal. Este valor deve estar em conformidade com a condição financeira da empresa.
  • Efetue pagamentos de despesas da empresa com a conta nova: todas as despesas do negócio, como aluguel do espaço, aquisição de insumos, marketing e contas mensais do local, devem ser custeadas com os recursos da conta da empresa.
  • Utilize a conta pessoal para despesas individuais: os recursos do seu pró-labore, disponíveis na sua conta pessoal, deverão ser utilizados para supermercado, aluguel residencial, lazer e outros gastos pessoais.
  • Armazene os comprovantes: é vital manter um registro de todas as transações, tanto as da empresa quanto as pessoais. Notas fiscais e extratos bancários serão seus aliados para evidenciar a origem e o destino dos valores.

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Thais Rodrigues
Thais Rodrigues
Formada em Jornalismo desde 2009 pela Unicsul e também pós-graduada em Jornalismo Esportivo pelo Centro Universitário FMU. Atualmente trabalhando nas áreas de redação, marketing e assessoria de imprensa.

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