Quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Plano de saúde por MEI pode sair mais caro? Entenda 4 pontos antes de contratar

Abrir ou usar um CNPJ para contratar assistência médica pode reduzir a barreira de entrada para algumas famílias. No entanto, reajustes, regras de rescisão e características dos contratos empresariais exigem atenção antes da assinatura.

Publicado em
4 min de leitura749 palavras
Plano de saúde por MEI pode sair mais caro? Entenda 4 pontos antes de contratar
Plano de saúde por MEI é permitido, mas consumidor deve observar reajustes, regras de rescisão e demais condições do contrato empresarial antes de contratar.Drazen Zigic/Magnific

Plano de saúde por MEI é uma modalidade permitida pelas regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mas funciona de maneira diferente de um plano individual ou familiar. Para o consumidor, entender essa diferença é importante principalmente quando o CNPJ serve, na prática, para incluir o próprio titular e seus familiares.

Além disso, o preço inicial não deve ser o único fator considerado. Os critérios de reajuste e as possibilidades de encerramento do contrato podem tornar a escolha mais complexa no longo prazo.

Plano de saúde por MEI é permitido?

Sim. A regulamentação da ANS permite que o microempreendedor individual contrate um plano coletivo empresarial, desde que cumpra os requisitos exigidos para essa modalidade.

Anúncio

Entre eles está a necessidade de comprovar a inscrição nos órgãos competentes e a regularidade cadastral perante a Receita Federal pelo período mínimo exigido pela regulamentação.

Além disso, o MEI precisa preservar a regularidade necessária durante a vigência do contrato.

A contratação empresarial também pode permitir a inclusão de familiares, observadas as condições do plano e as regras da ANS.

Por que o reajuste merece atenção?

Uma das diferenças mais importantes aparece na forma de reajuste. Nos planos individuais e familiares regulamentados, a ANS estabelece um percentual máximo para o reajuste anual.

Já os contratos coletivos empresariais seguem outra lógica. Nos planos com menos de 30 beneficiários, as operadoras devem reunir os contratos em um agrupamento para calcular o percentual de reajuste, conforme a regulamentação da agência.

Anúncio

Em 2026, segundo os dados apresentados na fonte, a ANS definiu em 5,11% o teto de reajuste dos planos individuais e familiares. Enquanto isso, o reajuste médio mencionado para contratos coletivos de até 29 beneficiários chegou a 13,48%.

Portanto, uma mensalidade inicialmente atraente pode evoluir de maneira diferente ao longo dos anos.

Quais são os principais riscos do plano de saúde por MEI?

Antes da contratação, quatro questões merecem atenção especial.

1. Contrato empresarial pode ter características de plano familiar

Um plano de saúde por MEI pode reunir apenas o microempreendedor e poucos dependentes da mesma família.

Nesse contexto, disputas judiciais podem discutir a verdadeira natureza da relação contratual. Há decisões que analisam situações em que o plano, embora formalmente empresarial, possui características essencialmente familiares.

Anúncio

Entretanto, uma eventual reclassificação não acontece automaticamente. Ela depende das circunstâncias do contrato e, quando existe conflito, da análise do caso concreto pelo Judiciário.

2. Regras de cancelamento são diferentes

O consumidor também precisa conhecer as condições para a rescisão do contrato coletivo empresarial.

A regulamentação da ANS estabelece requisitos específicos para o encerramento desses contratos. Além disso, decisões judiciais vêm delimitando situações envolvendo a rescisão unilateral de planos coletivos com poucos beneficiários.

Assim, antes de contratar, vale conferir atentamente as cláusulas sobre vigência, aviso prévio e encerramento.

3. Operadora não pode fazer seleção de risco

Ter idade avançada, deficiência ou determinada condição de saúde não autoriza, por si só, práticas discriminatórias na contratação.

Anúncio

A legislação dos planos de saúde e as normas da ANS estabelecem proteções contra a seleção de risco. Dessa forma, uma recusa baseada exclusivamente no perfil de saúde do consumidor pode ser questionada.

Ainda assim, isso não elimina outras regras contratuais e regulatórias aplicáveis à contratação.

4. Reajuste não segue o mesmo teto dos planos individuais

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes para o bolso.

O plano de saúde por MEI é um contrato coletivo empresarial. Por isso, não recebe automaticamente o mesmo teto anual de reajuste que a ANS estabelece para planos individuais e familiares.

Nos contratos com menos de 30 beneficiários, entra em cena o mecanismo de agrupamento previsto pela regulamentação da agência.

Anúncio

Por esse motivo, comparar somente a primeira mensalidade pode gerar uma impressão incompleta sobre o custo real do plano.

Vale a pena contratar plano de saúde usando MEI?

A resposta depende das alternativas disponíveis, da composição familiar, do orçamento e das condições oferecidas pelas operadoras.

Se houver um plano individual ou familiar adequado às necessidades do consumidor, comparar as duas modalidades pode ajudar na decisão. É importante observar não apenas mensalidade, rede credenciada e cobertura, mas também histórico e critérios de reajuste, condições de rescisão, coparticipação e regras para dependentes.

Por outro lado, quando as opções individuais são limitadas, a contratação empresarial pode representar uma alternativa de acesso à saúde suplementar.

Assim, antes de assinar um plano de saúde por MEI, o consumidor deve ler o contrato e projetar se conseguirá manter a mensalidade ao longo dos anos. Um preço menor na entrada não significa necessariamente um custo menor no futuro.

Anúncio
Compartilhe: