quinta-feira,
29 de janeiro de 2026

Quem recebe Bolsa Família pode fazer um empréstimo?

Veja como funciona o processo atual de solicitação de crédito para beneficiários do programa

A relação entre programas de transferência de renda e o acesso ao mercado de crédito passou por profundas transformações nos últimos anos. Se antes o debate girava em torno da bancarização da população de baixa renda, hoje a discussão central é o combate ao superendividamento. 

Para as famílias que integram o programa Bolsa Família, a pergunta sobre a possibilidade de contratar empréstimos esbarra em uma mudança de paradigma nas políticas públicas brasileiras.

Fim do Consignado e a Proteção do Mínimo Existencial

Até meados de 2022, o cenário era de expansão: beneficiários podiam comprometer parte de seu auxílio mensal com parcelas de empréstimos consignados. 

No entanto, a modalidade foi descontinuada sob o argumento de que o Bolsa Família possui natureza alimentar. Ao permitir que instituições financeiras ficassem com uma fatia de um benefício destinado à subsistência básica, o Estado acabava por aprofundar a dependência financeira das famílias, em vez de remediá-la.

Atualmente, o Supremo Tribunal Federal e o Governo Federal mantêm a suspensão de novos contratos de consignação direta sobre o benefício.

A medida visa preservar o “mínimo existencial”, garantindo que o valor repassado seja integralmente convertido em consumo de itens essenciais, como alimentação e saúde, protegendo o cidadão de juros que, a longo prazo, tornavam o auxílio insuficiente.

Do Consumo ao Investimento: A Ascensão do Microcrédito

Apesar da restrição ao crédito para consumo, o horizonte para o pequeno empreendedor da base da pirâmide não está fechado. A estratégia governamental deslocou-se para o fomento produtivo através do Programa Acredita. A lógica é a substituição do “empréstimo para pagar dívidas” pelo “crédito para gerar renda”.

Nesta modalidade, o Cadastro Único (CadÚnico) serve como porta de entrada para linhas de microcrédito orientado. Ao contrário do antigo consignado, esses recursos destinam-se à aquisição de insumos, ferramentas e estruturação de pequenos negócios.

O risco, neste caso, é mitigado por fundos garantidores do Governo, o que permite que bancos ofereçam taxas de juros reduzidas para quem, historicamente, não teria acesso ao sistema bancário tradicional por falta de garantias reais.

Linhas de crédito

  1. Programa Acredita (Governo Federal)

Este é o principal pilar atual. Ele não é um banco, mas um programa que utiliza o Fundo Garantidor de Operações (FGO) para que os bancos emprestem dinheiro a quem está no CadÚnico sem exigir garantias reais (como um carro ou imóvel).

  • Público-alvo: Beneficiários do Bolsa Família que são microempreendedores (MEI) ou informais.
  • Destaque: Permite o acesso ao crédito mesmo para quem tem baixa pontuação nos birôs de crédito tradicionais.
  1. Caixa Econômica Federal (Caixa Tem)

Sendo o banco operador do Bolsa Família, a Caixa possui linhas específicas dentro do ecossistema digital.

  • SIM Digital (Crédito CAIXA Tem): Destinado a empreendedores, inclusive beneficiários do Bolsa Família, que exercem alguma atividade produtiva.
  • Valores: Variam de R$ 300 a R$ 1.500 para pessoas físicas e até R$ 4.500 para quem já é MEI.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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