O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na última quinta-feira (5) que conversou com o filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, após o nome dele ter sido citado na CPMI do INSS, que apura fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
A declaração foi dada durante entrevista ao portal UOL. Segundo o presidente, a conversa ocorreu no Palácio do Planalto, após a repercussão do caso no Congresso.
Conversa no Palácio do Planalto
Lula relatou que chamou o filho para um diálogo direto e fez um alerta sobre as consequências de um eventual envolvimento no caso investigado pela CPMI.
“Quando saiu o nome do meu filho, chamei ele e disse: só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, vai pagar o preço, mas se não tiver, se defenda”, afirmou o presidente.
Na entrevista, Lula também fez uma comparação com a própria trajetória judicial, ao lembrar que decidiu permanecer no Brasil para se defender quando foi preso.
Convocação rejeitada pela CPMI
Em dezembro, a CPMI do INSS rejeitou, por 19 votos a 12, um requerimento que pedia a convocação de Lulinha para prestar esclarecimentos à comissão.
O nome dele passou a ser citado por parlamentares da oposição após reportagens indicarem que teria recebido recursos de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Declarações do presidente da Comissão
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), chegou a afirmar que Lulinha teria sido contratado para atuar como uma espécie de lobista em favor de Antunes.
Apesar disso, Fábio Luís Lula da Silva não é investigado no esquema de descontos fraudulentos envolvendo aposentados e pensionistas do INSS.
Nova tentativa de convocação
Nesta quinta-feira (5), Carlos Viana informou que pretende colocar em votação um novo requerimento pedindo a convocação de Lulinha para esclarecimentos.
“Está previsto não só do filho do presidente, mas também do próprio irmão, de pessoas ligadas à publicidade do Partido dos Trabalhadores. Eu vou trazer de volta”, declarou o senador.
Segundo ele, os pedidos serão votados na primeira oportunidade. “Esses requerimentos vão ser colocados na primeira oportunidade. Cada parlamentar votará de acordo com a sua consciência”, completou.
O que investiga a CPMI do INSS
A CPMI do INSS foi criada para apurar a realização de descontos irregulares e operações não autorizadas que atingiram aposentados e pensionistas.
As investigações buscam esclarecer como essas cobranças ocorreram sem consentimento dos beneficiários e analisar a atuação do INSS na fiscalização dos processos.
Com o avanço das apurações, surgiram indícios de um esquema mais amplo, envolvendo falhas de controle e possíveis irregularidades em contratos. A comissão segue com diligências, coleta de documentos e novos depoimentos para dimensionar o impacto das fraudes e identificar responsabilidades.