quarta-feira,
18 de março de 2026

Câmara acelera tramitação de proposta que amplia teto de faturamento do MEI

Medida visa combater a defasagem tributária e incentivar a formalização de pequenos negócios

A Câmara dos Deputados deu um passo decisivo na última terça-feira, 17 de março, ao aprovar em regime de urgência o Projeto de Lei Complementar que visa reestruturar os limites operacionais para o Microempreendedor Individual (MEI) no Brasil. 

Com uma adesão unânime de 430 votos favoráveis e nenhuma abstenção ou voto contrário, o plenário sinalizou um consenso raro em torno da necessidade de atualização das regras que regem a categoria de pequenos negócios no país.

A aprovação do requerimento de urgência permite que a proposta avance sem o rito tradicional de passagem por comissões temáticas, seguindo diretamente para a votação definitiva em plenário. 

Este mecanismo acelera a resposta do Legislativo a uma demanda que já havia recebido o aval do Senado Federal, consolidando uma articulação política voltada para o fomento da economia formal e a proteção de empreendedores que enfrentam a defasagem dos limites atuais diante da inflação e do aumento dos custos operacionais.

Reajuste nos limites e expansão da categoria

O ponto central da proposta é a elevação da receita bruta anual permitida para o enquadramento no regime tributário simplificado. O texto propõe que o teto de faturamento salte dos atuais R$ 81 mil para R$ 130 mil. 

Essa alteração não é meramente numérica; ela representa uma oxigenação necessária para milhares de brasileiros que, devido ao crescimento natural de suas atividades ou ao repasse de custos em seus preços, estavam prestes a ser desenquadrados do modelo MEI, o que implicaria em uma carga tributária e burocrática significativamente maior.

Além do ajuste no faturamento, o projeto contempla a possibilidade de expansão da força de trabalho dentro deste regime. Atualmente limitado à contratação de apenas um funcionário, o novo texto legislativo abre caminho para que o microempreendedor possa admitir até dois colaboradores, desde

 que estes recebam o salário mínimo da categoria ou o piso salarial nacional. Essa medida visa não apenas a formalização de postos de trabalho, mas também o incentivo à produtividade em pequenos estabelecimentos que, sozinhos, já não conseguem suprir a demanda de mercado.

Impacto na formalização e justiça fiscal

O limite de R$ 81 mil, em vigor há anos, tornou-se um gargalo para o desenvolvimento.

Muitos empreendedores viam-se diante de um dilema: frear o crescimento para não ultrapassar o teto ou aceitar a migração para o regime de Microempresa, que exige gastos elevados com contabilidade e impostos proporcionais que nem sempre o negócio tem fôlego para suportar.

A elevação do teto para R$ 130 mil funciona, portanto, como uma política pública de retenção na formalidade. Ao permitir que o empreendedor fature mais de dez mil reais mensais em média, o Estado reconhece a necessidade de uma margem maior para a sobrevivência do pequeno negócio. 

Próximos passos

Com a urgência aprovada, o texto deve ser pautado para votação de mérito na próxima semana. Caso seja aprovado sem alterações substanciais em relação ao que veio do Senado, a matéria seguirá para a sanção presidencial. 

Se sancionada, a nova lei representará a maior mudança estrutural no regime de microempreendedores desde a sua criação, prometendo uma transição mais suave para aqueles que buscam crescer sem o temor de uma asfixia tributária imediata.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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