A fila do INSS diminuiu ao longo de 2026, mas a espera continua longa para parte dos segurados.
Enquanto o governo registra queda no número de processos pendentes, beneficiários relatam até oito meses sem resposta sobre aposentadorias e benefícios por incapacidade.
Além disso, outro dado chama a atenção: o número de requerimentos rejeitados cresceu 70% em 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. Somente em junho, os indeferimentos chegaram perto de 1 milhão.
Por outro lado, o Ministério da Previdência Social afirma que o estoque de pedidos vem diminuindo. Em junho, a fila chegou a 1,8 milhão de requerimentos. Já no fim de julho, recuou para 1,55 milhão.
Fila do INSS cai, mas segurados ainda enfrentam meses de espera
Segundo dados do governo, a fila do INSS registrou uma redução de 74% desde o início de 2026. O resultado acompanha as medidas adotadas para acelerar a análise dos requerimentos.
Ainda assim, a redução do estoque total não significa que todos os segurados recebam uma resposta rapidamente. Alguns processos permanecem em análise durante vários meses.
Entre os casos relatados ao g1 está o do motorista de aplicativo José Flávio Costa, de 58 anos. Ele solicitou a aposentadoria em 24 de novembro de 2025 e, cerca de oito meses depois, ainda aguardava uma decisão.
Enquanto isso, José Flávio continua trabalhando como motorista de aplicativo para manter as despesas e pagar o financiamento do apartamento.
Outro caso envolve a cozinheira Erika Antônia Bonifácio, de 38 anos. Após enfrentar problemas na coluna, ela recebeu benefício por incapacidade temporária durante parte de 2025.
Posteriormente, o INSS encerrou o pagamento. A Justiça chegou a reconhecer a incapacidade para o trabalho e o benefício voltou a ser pago, mas uma nova avaliação encerrou novamente os pagamentos em 2026.
Espera por perícia também pode prolongar análise
Além da análise administrativa, o tempo necessário para realizar a perícia médica pode aumentar a espera de quem solicita um benefício por incapacidade.
Maria Delene Oliveira, de 52 anos, por exemplo, pediu o benefício por incapacidade temporária em dezembro de 2025. No entanto, ela esperou aproximadamente sete meses para passar pela perícia.
Depois disso, ainda precisou aguardar o resultado da avaliação.
Por isso, quem solicita benefícios relacionados à incapacidade deve acompanhar regularmente o andamento do requerimento. O segurado pode consultar as atualizações pelo site ou aplicativo Meu INSS.
Benefícios negados aumentaram 70% em 2026
Ao mesmo tempo em que a fila do INSS diminuiu, o número de benefícios rejeitados aumentou.
No acumulado de 2026, os indeferimentos cresceram 70% em comparação com o mesmo período de 2025. Em junho, o total de negativas ficou próximo de 1 milhão.
Entre os pedidos que registram grande volume de recusas estão os benefícios por incapacidade. Esse grupo inclui o auxílio por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, o auxílio-acidente e a aposentadoria por incapacidade permanente.
Contudo, uma negativa não encerra necessariamente as possibilidades do segurado. Quem discordar da decisão pode recorrer administrativamente.
O que fazer se o INSS negar o benefício?
Primeiramente, o segurado deve conferir o motivo do indeferimento. Essa informação ajuda a identificar documentos ausentes, divergências cadastrais ou outros pontos que possam ter influenciado a decisão.
Em seguida, quem discordar da análise pode apresentar um recurso administrativo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. O prazo para recorrer é de até 30 dias após a ciência da decisão.
Além disso, o procedimento não exige pagamento de taxa.
Para apresentar o recurso pelo Meu INSS:
- acesse o site ou aplicativo Meu INSS;
- entre com CPF e senha da conta Gov.br;
- acesse o campo “Do que você precisa?”;
- procure por “Recurso ordinário”;
- confira os documentos solicitados;
- selecione o serviço e siga as instruções apresentadas.
Depois disso, o segurado pode acompanhar o andamento pela opção “Consultar pedidos”.
Como acompanhar um pedido na fila do INSS?
Enquanto aguarda, o segurado pode consultar a situação do requerimento diretamente pelo Meu INSS.
Para isso, basta entrar na plataforma e selecionar “Consultar pedidos”. O sistema mostra os requerimentos cadastrados e o andamento de cada solicitação.
Além disso, vale acompanhar eventuais exigências feitas pelo instituto. Caso o INSS solicite documentos ou informações adicionais, o segurado deve observar o prazo indicado para responder.
Dessa maneira, manter os dados atualizados e acompanhar as notificações ajuda a evitar atrasos provocados pela falta de documentos ou pelo descumprimento de uma exigência.
Redução da fila do INSS não elimina demora para todos
Por fim, os números mostram dois movimentos simultâneos. De um lado, o governo conseguiu diminuir significativamente o estoque de requerimentos pendentes. De outro, alguns segurados continuam enfrentando meses de espera e o número de benefícios negados aumentou.
Assim, embora a fila do INSS tenha alcançado patamares menores em 2026, quem possui um requerimento em análise deve acompanhar o processo pelo Meu INSS e verificar rapidamente qualquer nova exigência ou decisão.
Caso o instituto negue o pedido, o segurado ainda pode recorrer administrativamente dentro do prazo de 30 dias e apresentar elementos para uma nova análise.
Com informações do G1