sexta-feira,
20 de fevereiro de 2026

FGTS vai pagar valores retroativos? Veja o que o STF decidiu

Decisão do STF redefine regras de correção do FGTS e gera dúvidas sobre valores antigos. Entenda o que muda nas contas do fundo

O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou que as contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) devem garantir correção pela inflação, mas sem pagamento retroativo. A decisão foi publicada na segunda-feira (16), após julgamento no plenário virtual.

O entendimento confirma posição tomada em 2024 e mantém as regras atuais de correção do fundo.

STF reafirma regra de correção do FGTS

O plenário confirmou que a Taxa Referencial (TR), historicamente usada para corrigir os depósitos, não será o único parâmetro. As contas devem assegurar rendimento equivalente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação.

A decisão ocorreu ao analisar um recurso apresentado por um correntista contra decisão da Justiça Federal da Paraíba, que havia negado a correção retroativa dos valores.

Vai haver pagamento retroativo? 

Não. O Supremo manteve a regra de que a correção pelo IPCA vale apenas para novos depósitos.

Ficou estabelecido que não haverá atualização retroativa para valores que já estavam nas contas em junho de 2024, quando a Corte reconheceu o direito dos trabalhadores à correção pela inflação.

Como fica o cálculo do rendimento do FGTS

O modelo atual de cálculo foi mantido pelos ministros. Ele reúne diferentes componentes para garantir a correção pela inflação.

Hoje, o rendimento considera:

  • Juros de 3% ao ano
  • Distribuição de lucros do fundo
  • Correção pela TR

A soma desses fatores deve assegurar rendimento equivalente ao IPCA. Caso o resultado fique abaixo da inflação, caberá ao Conselho Curador do FGTS definir a forma de compensação.

Proposta teve participação da AGU e sindicatos

Durante a tramitação do processo, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou a proposta de cálculo ao STF após conciliação com centrais sindicais.

O caso começou a ser analisado em 2014, após ação apresentada pelo partido Solidariedade. A legenda argumentou que a TR, com rendimento próximo de zero, não garantia reposição adequada da inflação aos trabalhadores.

O que é o FGTS e para que serve? 

Criado em 1966, o FGTS funciona como uma poupança obrigatória para proteger o trabalhador em caso de demissão sem justa causa.

Nessa situação, o empregado recebe:

  • O saldo total da conta
  • Multa de 40% sobre o valor acumulado

Após o início da ação no Supremo, novas leis passaram a prever juros de 3% ao ano e distribuição de lucros, além da TR. Ainda assim, o rendimento continuou abaixo da inflação, o que motivou o debate judicial.

Para quem acompanha o tema, a decisão define as regras atuais e esclarece como ficará a correção das contas daqui para frente.

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Aécio de Paula
Aécio de Paula
Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduado em Direitos Humanos pela mesma instituição. Atua na produção, edição e apuração de conteúdos sobre política, economia, sociedade e cultura, com experiência em redações e portais de notícia.

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