Entrevista de emprego: recrutadores apontam erro que pode demonstrar falta de interesse
Recrutadores estão atentos a sinais que vão além da experiência profissional. Chegar à entrevista sem conhecer a empresa pode transmitir pouco interesse pela oportunidade.

Como se preparar para uma entrevista de emprego envolve mais do que revisar o currículo e pensar nas respostas para as perguntas mais comuns. Conhecer a empresa, entender sua atuação e demonstrar interesse pela oportunidade também pode fazer diferença durante o processo seletivo.
A avaliação é compartilhada por profissionais de recrutamento ouvidos pela CNBC. Adriane Schwager, CEO e cofundadora da GrowthAssistant, chama atenção para a quantidade de candidatos que chegam às entrevistas sem sequer compreender o que a empresa faz.
Para quem procura emprego, portanto, dedicar alguns minutos à pesquisa antes da conversa pode ajudar a construir respostas mais relevantes e mostrar que a candidatura não foi feita de maneira automática.
Como se preparar para uma entrevista de emprego?
Um dos primeiros passos é pesquisar a organização antes do encontro com o recrutador.
Não é necessário decorar todas as informações disponíveis. O objetivo é chegar à conversa entendendo aspectos básicos do negócio e conseguindo relacioná-los à vaga pretendida.
Antes da entrevista, o candidato pode verificar:
produtos ou serviços oferecidos pela empresa;
área e mercado em que ela atua;
informações disponíveis no site institucional;
publicações recentes nas redes sociais;
características e responsabilidades da vaga;
experiências profissionais que podem ser relacionadas à oportunidade.
Essa preparação também facilita a elaboração de perguntas para o recrutador e evita que o candidato dependa apenas de respostas genéricas.
Demonstrar que conhece a empresa pode fazer diferença
Segundo Schwager, até candidatos experientes deixam de realizar essa preparação básica.
Durante a entrevista, mencionar naturalmente um projeto, uma publicação recente ou outro aspecto relevante da organização pode indicar que houve interesse em conhecê-la antes da conversa.
Isso não significa repetir informações decoradas apenas para impressionar o recrutador. A pesquisa deve servir como base para uma conversa mais contextualizada.
Por exemplo, ao conhecer um projeto recente da empresa, o profissional pode explicar como uma experiência anterior se relaciona com aquela iniciativa. Dessa forma, ele apresenta suas competências dentro de uma situação concreta.
Currículo adaptado à vaga não é suficiente
Andrew McCaskill, especialista em carreiras do LinkedIn ouvido pela CNBC, destaca a importância da preparação para a dinâmica das entrevistas.
Adaptar o currículo continua sendo uma etapa relevante, principalmente para evidenciar experiências relacionadas aos requisitos anunciados.
Entretanto, o documento é apenas uma parte do processo. Na entrevista, o candidato precisa explicar suas experiências, mostrar como pode contribuir e entender se aquela oportunidade também faz sentido para seus objetivos profissionais.
Por isso, enviar um currículo adequado e chegar à conversa sem conhecer minimamente a empresa pode enfraquecer uma candidatura que inicialmente parecia competitiva.
Contatar profissionais da empresa pode ser uma estratégia?
A executiva da GrowthAssistant também defende que candidatos realmente interessados podem ir além dos canais tradicionais de candidatura.
Uma possibilidade é entrar em contato com profissionais ou lideranças da organização pelas redes sociais, especialmente quando houver algo relevante para apresentar.
Schwager relata que algumas contratações realizadas por sua empresa começaram com abordagens desse tipo, nas quais candidatos apresentaram projetos e demonstraram conhecimento sobre o negócio.
Ainda assim, a abordagem precisa ser profissional. Mensagens genéricas enviadas em massa dificilmente demonstram o mesmo nível de preparação que um contato relacionado à vaga, à empresa e às competências do candidato.
O que perguntar durante uma entrevista de emprego?
Pesquisar previamente também permite fazer perguntas mais específicas.
Em vez de chegar ao final da entrevista sem saber o que perguntar, o candidato pode aproveitar a conversa para compreender melhor aspectos que não estavam claros no anúncio.
Alguns exemplos são:
quais serão as principais prioridades da função;
como funciona a equipe da qual o profissional fará parte;
quais desafios estão relacionados ao cargo;
como são avaliados os resultados da posição;
quais são as próximas etapas do processo seletivo.
Além de ajudar a demonstrar interesse, essas respostas fornecem informações para o próprio candidato decidir se deseja continuar no processo.
Empresas também estão de olho no engajamento
A preocupação dos recrutadores com interesse e envolvimento acontece em um cenário no qual o engajamento profissional se tornou um desafio para as organizações.
O relatório State of the Global Workplace 2024, da Gallup, apontou que 23% dos trabalhadores estavam engajados globalmente. O estudo estimou ainda um impacto de US$ 8,9 trilhões na economia mundial relacionado ao baixo engajamento.
Esses números se referem a pessoas que já estavam trabalhando e, portanto, não medem diretamente o comportamento de candidatos em entrevistas. Ainda assim, ajudam a contextualizar por que o tema do engajamento recebe atenção dentro das empresas.
Nesse cenário, saber como se preparar para uma entrevista de emprego pode ajudar o profissional não apenas a responder melhor às perguntas, mas também a demonstrar que compreendeu a oportunidade e tomou uma decisão consciente ao se candidatar.
Fontes
CNBC — orientações de Andrew McCaskill e Adriane Schwager sobre preparação para processos seletivos
Gallup — State of the Global Workplace 2024
Xataka Brasil
