terça-feira,
3 de fevereiro de 2026

Fim da escala 6×1 e redução da jornada estão a um passo da votação

Proposta prevê transição gradual para o novo modelo de trabalho

O Plenário do Senado Federal prepara-se para votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015, um projeto que promete redefinir as relações laborais no Brasil. 

De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a medida propõe a extinção da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso — a chamada escala 6×1 — e a redução progressiva da carga horária semanal dos atuais 44 para 36 horas.

A proposta chega ao Plenário com forte apelo popular. Segundo dados divulgados pela Agência Senado, uma enquete oficial sobre o tema registrou 92,9% de aprovação entre os participantes. 

O texto defende que a mudança é uma “luta histórica” por melhores condições de saúde e descanso para o trabalhador, citando exemplos internacionais, como o da Espanha, onde a redução da jornada teria impulsionado a criação de centenas de milhares de novos postos de trabalho.

Transição e mercado de trabalho

Para evitar um impacto abrupto na economia e permitir a adaptação das empresas, a PEC estabelece um cronograma de implementação escalonado. Em uma primeira etapa, o limite semanal cairia para 40 horas. 

A partir desse marco, a jornada seria reduzida em uma hora por ano, até atingir o teto definitivo de 36 horas.

O autor da matéria argumenta que, embora os empregadores precisem ajustar seus custos operacionais, a medida tende a reduzir o desemprego. “A redução da jornada pode exigir a contratação de mais funcionários para manter os níveis de produtividade, gerando um ciclo positivo de consumo e ocupação”, aponta o relatório da proposta.

Embates e tramitação

Apesar do expressivo apoio popular refletido na enquete, o tema divide opiniões no Congresso e entre entidades setoriais. 

De um lado, sindicatos e movimentos sociais defendem que o modelo 6×1 é exaustivo e incompatível com a qualidade de vida moderna; do outro, setores do comércio e serviços demonstram preocupação com o aumento imediato dos custos da folha de pagamento.

Por se tratar de uma alteração na Constituição Federal, a PEC exige quórum qualificado e dois turnos de votação. Se aprovada pelos senadores, a matéria seguirá para análise da Câmara dos Deputados. 

Até o momento, o texto permanece na pauta do dia, aguardando a deliberação final dos parlamentares para seguir seu rito legislativo.

Compartilhe:

Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

Notícias relacionadas

Mais lidas da semana

App O Trabalhador