quinta-feira,
23 de abril de 2026

Fim da escala 6×1: Câmara quer votação o final até maio

Hugo Motta, quer concluir a votação até o fim de maio. Debate foca em transição gradual e incentivos fiscais para empresas.

Após a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 entra em uma fase decisiva na Câmara dos Deputados. 

O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), trabalha para instalar a comissão especial e definir o relator do texto nos próximos dias, com o objetivo de acelerar a tramitação e entregar a matéria aprovada ainda no primeiro semestre de 2026.

O favoritismo para a relatoria recai sobre o deputado Paulo Azi (União-BA), que já conduziu a admissibilidade do projeto na CCJ. A estratégia de Motta é designar um nome de centro que consiga equilibrar as pressões populares pela redução da carga horária com as preocupações do setor produtivo. 

Atualmente, o debate unifica dois textos: o da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe jornada de quatro dias e 36 horas semanais, e o de Reginaldo Lopes (PT-MG), que mantém as 36 horas, mas com limite de oito horas diárias.

Em busca do consenso

Apesar das propostas originais mais arrojadas, o centrão e a base do governo articulam um modelo intermediário. O consenso que emerge nos bastidores aponta para uma escala de 5 dias de trabalho por 2 de descanso (5×2), com uma carga de 40 horas semanais. 

O próprio Paulo Azi já sinalizou que o “bom senso” deve guiar o relatório final na comissão especial, buscando um ponto de equilíbrio que garanta a qualidade de vida do trabalhador sem comprometer a viabilidade econômica das empresas.

Dois pontos são considerados cruciais para o avanço da pauta:

  • Transição: Enquanto o texto de Hilton prevê aplicação em 360 dias, o de Lopes sugere uma adaptação gradual ao longo de dez anos. O governo defende uma validade mais imediata, de olho no impacto político positivo para a gestão atual.
  • Incentivos Fiscais: Para mitigar possíveis altas de preços e quedas na produção, discute-se um pacote de alívio tributário para companhias afetadas, nos moldes do que foi adotado em países como França e Alemanha.

Impacto econômico

Relatórios recentes do Ipea indicam que o impacto da redução de jornada pode ser comparável aos reajustes históricos do salário mínimo — que em 2026 atingiu R$ 1.621. 

Defensores da medida, como o deputado Reginaldo Lopes, argumentam que a mudança não apenas moderniza as relações trabalhistas, como também pode reduzir a informalidade e gerar ganhos de produtividade a longo prazo.

A comissão especial tem um prazo regimental de até 40 sessões para deliberar, mas a cúpula da Câmara espera que as discussões sejam concluídas com antecedência para que o texto chegue ao plenário antes de junho. 

Se aprovada, a medida representará uma das maiores alterações na estrutura trabalhista do país desde a promulgação da Constituição de 1988.

Conclusão

A tramitação da PEC ocorre em um momento de intensa mobilização digital, onde a pressão das redes sociais tem ditado o ritmo das discussões no Congresso. 

Para o Palácio do Planalto, a aprovação da medida é vista como uma agenda positiva estratégica, capaz de fortalecer a conexão com a base trabalhadora em meio aos debates sobre o custo de vida. 

No entanto, o desfecho da proposta na comissão especial dependerá da habilidade dos parlamentares em desenhar um texto que harmonize a proteção social com a estabilidade econômica, evitando que a redução da jornada resulte em uma elevação de custos que acabe repassada ao consumidor final.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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