quarta-feira,
18 de março de 2026

Fim da escala 6×1 cresce e recebe apoio de 71% dos brasileiros

Pesquisa Datafolha mostra que a maioria dos brasileiros é favorável ao fim da escala 6x1

O debate sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou um novo capítulo nesta semana. Uma pesquisa recente do Instituto Datafolha revela que 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1 — modelo em que o profissional trabalha seis dias para um de folga. 

O índice demonstra uma consolidação da pauta na opinião pública, refletindo o desejo por mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

O crescimento da adesão é nítido quando comparado a levantamentos anteriores. Em uma sondagem realizada em dezembro de 2024, o apoio à redução da jornada era de 64%.

Em pouco mais de um ano, houve um salto de sete pontos percentuais, indicando que o tema deixou de ser uma pauta setorial para se tornar uma demanda social abrangente.

Perfil do apoio e divergências

Embora a maioria seja favorável à mudança, o entusiasmo varia conforme o perfil do entrevistado. O apoio é mais expressivo entre:

  • Jovens e trabalhadores de baixa renda: Grupos que compõem a base operacional do setor de serviços e comércio, onde a escala 6×1 é predominante.
  • Regiões Metropolitanas: Onde o tempo de deslocamento acentua o desgaste físico e mental da jornada estendida.

Por outro lado, a resistência ao projeto ainda se concentra em setores patronais e entre brasileiros com rendimentos mais elevados. 

O principal argumento contrário reside no receio de um aumento nos custos operacionais, o que poderia, em tese, pressionar a inflação ou gerar demissões em setores sensíveis, como a hotelaria e o varejo de rua.

Saúde Mental e Produtividade em Pauta

Especialistas em mercado de trabalho apontam que a mudança de percepção da sociedade está diretamente ligada ao aumento dos casos de Burnout e transtornos de ansiedade relacionados ao emprego

O modelo 6×1 é visto por críticos como um impeditivo para o convívio familiar, o lazer e o descanso efetivo, gerando um ciclo de fadiga crônica.

Defensores da medida argumentam que a transição para escalas mais flexíveis, como a 5×2 ou até a 4×3 (semana de quatro dias), pode resultar em ganho de produtividade. 

A lógica é que funcionários mais descansados cometem menos erros, faltam menos ao serviço e apresentam maior engajamento criativo.

Cenário Legislativo

O resultado da pesquisa pressiona o Congresso Nacional, onde propostas de emenda à Constituição (PECs) sobre o tema tramitam sob intenso olhar da sociedade civil. 

O desafio dos legisladores agora é encontrar um meio-termo que atenda ao anseio da maioria da população sem comprometer a sustentabilidade financeira das micro e pequenas empresas, que são as maiores empregadoras do país.

Com sete em cada dez brasileiros posicionados contra o atual modelo, a escala 6×1 parece estar com os dias contados no imaginário popular, aguardando agora uma definição jurídica que acompanhe a nova realidade social.

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Ana Lima
Ana Lima
Ana Lima é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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